‘Só depois que atingir toda a massa’

Onde o músico quer chegar? Talvez, a resposta mais sensata seria: na trilha da novela das oito. E assim vivo na contradição: como eu, que não vejo novela nem acompanho BBB torço para que meus artistas toquem no horário nobre? Qual o limite para se chegar à ascensão sem perder a alma? Quanto e como pagar para tocar na rádio? Como fazer a música chegar à massa sem que vire mais um rótulo da cultura de massa? Ou, simplesmente, como ser respeitado pelo trabalho independente?

São perguntas que me encasquetam o juízo. Mais ainda depois desta semana em que, pela segunda vez, a Orquestra Contemporânea de Olinda tocou antes de Pitty num festival. No intervalo das músicas da Orquestra, fãs frenéticos da baiana gritavam: ‘Pitty! Pitty! Pitty!’.
A resposta foi música: ‘Toda Massa’, letra de Tiné que fala exatamente dos fenômenos musicais que entram em nossas casas pela TV e pelas rádios.
Creio que poucos daqueles jovens entenderam o recado.

O importante é que foi dado. Mesmo que o som do nosso show tenha sido 8 vezes inferior ao de Pitty; que em nosso camarim tivesse faltado o suco de frutas e a cerveja gelada; ou que nossa câmera tivesse sido tirada do melhor local porque o técnico de Pitty queria afinar os instrumentos bem ali. Chegou na TV Globo, tapete vermelho. Cabe ao artista e equipe enrolar o tapete e pisar firme e descalço.
“Eu não vim de terra alheia. Trago uma estrela no peito. Como o sol ela alumeia” (Bongar)

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