WOMEX 2010- observações sobre o mercado

A WOMEX deste ano foi a minha 7a WOMEX, há 7 anos me desloco uma vez por ano atrás dela, quer aconteça em Sevilha, em Essen, Newcastle ou em Copenhagen…

Eu e mais 2.000 profissionais de música do mundo todo fazendo o mesmo. Fico pensando no poder disso, no poder da WOMEX. A convenção faz cada um de nós sair de suas cidades, pagando tudo, e caro, para se reunir em 4 dias de convenção que se não ajudar o ano seguinte a se desenrolar melhor pra cada um, vai, no mínimo, abrir a mente de todos, acrescentar conteúdo e shows incríveis de grupos de toda parte do mundo que, se não fosse ela, dificilmente teríamos a chance de conhecer.

É, sem dúvida, uma celebração da música mundial. A música e o mercado que estamos inseridos, claro. Nada de mainstream, nada de mega-produções, nada de bandas comercias. Apenas grupos, produtores e agentes que trabalham num mercado diverso, autêntico e que se diz independente.

A WOMEX 2010 me sinalizou algumas coisas:

Como os europeus estão tristes, deprimidos e sem dinheiro. Como os mercados de países emergentes como Brasil, Índia, China, Coréia, estão cada vez mais presentes nessas convenções, com shows, estandes, mercado latente, punjante. O meu agente e sócio português ao me ver a primeira coisa que falou foi “O futuro é vosso” . Esses paises são vistos hoje como a esperança de novos mercados, novos negócios e intercâmbio. Não fico totalmente feliz com isso e vou explicar porquê.

A Europa é um mercado lindo, aberto, curioso, importantíssimo para o desenvolvimento internacional das carreiras dos grupos brasileiros. Consegue absorver muito bem o mainstream nacional, bem como artistas completamente desconhecidos. Sempre vai ter um palco, uma casa, um teatro para esses artistas. A Europa sem dinheiro significa que a música menos acessível, ficará de lado. Com cachês baixos, as bandas estrangeiras terão dificuldades de circular, os cachês europeus sempre foram bons e fundamentais para a sustentabilidade das turnês. Há muito o que se preocupar com essa situação, principalmente as bandas que estão começando agora a querer sair.

O lado que poderia nos deixar feliz, de ouvir que o futuro é do Brasil, depende do que se pretende. Se os europeus ao dizerem isso trazem alguma expectativa de descobrir o mercado brasileiro, de inserir seus artistas aqui, aí a coisa complica. Diferentemente da Europa, o Brasil é bem fechado para a música estrangeira, com exceção dos hits comerciais crônicos americanos, claro, e alguns ingleses de primeira linha. O Brasil, em sua maioria, não está interessado em conhecer a nova música portuguesa, alemã, espanhola, italiana e por aí vai. É triste, mas é fato, com pequenas exceções. Se os produtores europeus quiserem entrar no mercado brasileiro terão que buscar  apoios nos bureax de exportação de seus paises, que são exemplos de atuação no mundo todo, mas, sem dinheiro, como eles vão atuar agora?

Outro fato WOMEXicano, conseqüência natural do achatamento do mercado da música no mundo, foi a desproporção entre compradores e vendedores presentes na Feira. Há 3 anos, essa proporção era de 50% para 50%, hoje, a quantidade de comprador não passa de 30%. Para alguns segmentos é menor que 10%, como é o caso de parceiros para distribuição, edição e licenciamento de disco. Virou uma raridade encontrá-los e quando encontramos, as respostas não são animadoras.

A equação, nesse momento, não se fecha: temos agentes que podem e querem vender shows, mas, eles ainda querem que o grupo tenha distribuição lá fora, mas, os grupos não acham quem lancem seus discos lá. Aí permanece a dúvida: Se o mercado da venda de discos caiu radicalmente, se as gravadoras, quando fecham algum contrato, não dão mais nenhum tipo de suporte para turnês, porque ainda é tão importante ter os discos lançados fora?  Alguns diriam que seria pela mínima promoção que um selo pode fazer para divulgar um artista, o que ajuda na venda dos shows. Outros diriam que é pela sensação de ocupação, dando mais segurança aos próprios agentes e contratantes.

Enquanto isso, o manager corre pra lá e corre pra cá e tenta manter o network vivo, apesar das crises, e procura os agentes mais sensíveis e os contratantes com mais visão, sempre deixando claro pra banda o tamanho da perna dela e as possibilidades reais. Pelo menos é assim que tenho feito. Pois como o vento, acredito que isso é assim hoje, amanhã a coisa muda.

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